Conferências ACFP 2026 – “Uma viagem pela história e memória da profissão farmacêutica em Portugal: das origens ao século XXI” – Prof Doutor João Rui Pita

É apresentado um breve historial da profissão farmacêutica em Portugal, desde os primeiros documentos oficiais que organizaram a profissão no nosso país até aos dias de hoje. É também desenvolvida uma reflexão sobre os marcos mais relevantes da profissão farmacêutica em Portugal sustentada na investigação realizada. Além disso, estabelece-se a distinção entre a história da farmácia e do medicamento e a história da profissão farmacêutica, evidenciando-se o interesse da história e da memória da profissão farmacêutica, em particular em Portugal, como área de investigação científica, como ferramenta importante na construção de uma identidade profissional e como elemento relevante na formação integral dos farmacêuticos.

 

 

Ciclo de conferências “Envelhecer Bem” – Demências na População Idosa – Montemor-o-Velho

O que é a Doença de Alzheimer? Compreender as causas, os sintomas, o diagnóstico e o tratamento – Profª. Doutora Rosa Resende

 A doença de Alzheimer é uma doença que afecta o cérebro e que se caracteriza pela perda progressiva de neurónios, levando a um declínio gradual das capacidades cognitivas, como a memória, o pensamento e o raciocínio. É a forma mais comum de demência, representando cerca de 60 a 70% dos casos em pessoas idosas. Devido ao envelhecimento da população, o número de pessoas afetadas por esta doença tem vindo a aumentar nos últimos anos.

Esta palestra pretende explicar, de forma clara e simplificada, o que é a doença de Alzheimer e como ela afeta o cérebro e a memória. Serão abordados os principais sintomas, os fatores de risco, a forma como a doença é diagnosticada e as opções de tratamento atualmente disponíveis. A sessão procurará também esclarecer dúvidas frequentes e partilhar informação útil para reconhecer sinais precoces e lidar melhor com esta doença que afeta muitas famílias.

Curriculum Vitae

Rosa Resende é licenciada em Biologia, mestre em Biologia Celular e Molecular e doutorada em Ciências Biomédicas pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. A sua investigação centra-se no estudo das doenças do cérebro, como a doença de Alzheimer e algumas doenças psiquiátricas como a doença bipolar e a esquizofrenia, procurando compreender os mecanismos celulares e moleculares que estão na sua origem e identificar novas estratégias terapêuticas. Publicou dezenas de artigos científicos, participou em vários projetos científicos nacionais e internacionais, um dos quais recebeu o prémio “Bolsa de investigação Edgar Cruz e Silva” conferido pelo Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demências e é co-autora de uma patente relativo a moléculas com potencial no tratamento da doença de Alzheimer.

Doença de Alzheimer: Fatores de Risco, Prevenção e Como Viver Melhor – Profª. Doutora Armanda E. Santos

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência e afeta milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo em idades mais avançadas. Embora o envelhecimento seja o principal fator de risco, existem outros fatores que podem influenciar o aparecimento e a progressão da doença. Por isso, compreender melhor estes fatores é essencial para promover a saúde do cérebro ao longo da vida.

Esta palestra pretende explicar quais são os principais fatores de risco associados à doença de Alzheimer. Alguns dos fatores de risco são modificáveis e por isso iremos abordar medidas farmacológicas e de estilo de vida que podem ajudar a minimizar o risco de desenvolver a doença de Alzheimer. Neste contexto, serão também abordados hábitos e estratégias que contribuem para manter o cérebro ativo e saudável, bem como formas de melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem com a doença e das suas famílias. A sessão procurará ainda esclarecer dúvidas frequentes e promover uma maior sensibilização para a importância da prevenção e do envelhecimento ativo e saudável.

Curriculum Vitae

Armanda E. Santos é licenciada em Ciências Farmacêuticas, mestre em Biologia Celular e doutorada em Farmácia pela Universidade de Coimbra. É atualmente Professora Associada na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, e investigadora no Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra. A sua investigação centrou-se no estudo dos mecanismos moleculares envolvidos em doenças neurodegenerativas agudas, como a isquemia cerebral e, nos anos mais recentes, tem-se centrado em doenças neurodegenerativas crónicas, como a doença de Alzheimer, procurando identificar alvos terapêuticos e desenvolver estratégias inovadoras de tratamento. Publicou dezenas de artigos em revistas internacionais com revisão por pares, coordenou vários projetos científicos financiados, um dos quais recebeu o prémio “Bolsa de investigação Edgar Cruz e Silva” conferido pelo Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demências e é co-autora de uma patente relativo a moléculas com potencial no tratamento da doença de Alzheimer.

 

Conferências ACFP 2026 – “Inteligência artificial – uma nova era na descoberta e desenvolvimento de medicamentos” – Prof Doutor Joel Arrais

A descoberta e o desenvolvimento de novos medicamentos enfrentam hoje desafios significativos em termos de tempo, custo e complexidade científica, num contexto em que a quantidade de dados biológicos e químicos cresce de forma exponencial. A inteligência artificial (IA) surge como um aliado estratégico capaz de transformar este processo, desde a identificação de alvos terapêuticos, integrando dados ómicos e de redes biológicas, até à geração de novas moléculas com perfis de eficácia e segurança otimizados. Nesta conferência foram apresentadas análises e reflexões sobre como os métodos de aprendizagem automática e modelos generativos podem acelerar as fases iniciais da investigação farmacêutica, permitindo explorar espaços químicos vastos, priorizar compostos promissores e apoiar decisões informadas antes dos ensaios laboratoriais e clínicos. Foram ainda apresentados exemplos de trabalho desenvolvido na Universidade de Coimbra, que ilustram o potencial da IA na aproximação entre a investigação computacional e a prática farmacêutica, e que abrem caminho a abordagens terapêuticas mais personalizadas e eficientes.

 

Ciclo de conferências “Envelhecer Bem” – Alimentação e Suplementação nos Idosos – Montemor-o-Velho

“Alimentação na pessoa adulta” – Prof. Doutor Manuel Teixeira Veríssimo

A alimentação constitui um dos principais determinantes do estado de saúde ao longo da vida adulta, influenciando diretamente o risco de desenvolvimento de diversas doenças crónicas e contribuindo para a promoção do envelhecimento saudável. A evidência científica demonstra que hábitos alimentares adequados estão associados à melhoria da qualidade de vida e à redução da incidência de patologias comuns nas sociedades modernas. Neste contexto, torna-se essencial compreender os princípios fundamentais de uma alimentação saudável na idade adulta e o seu impacto na prevenção da doença e no envelhecimento saudável. Entre os padrões alimentares considerados mais benéficos destaca-se a dieta mediterrânica, caracterizada pelo elevado consumo de alimentos de origem vegetal, cereais pouco refinados, fruta, frutos secos, azeite e peixe, associado a um consumo reduzido de carne e ingestão moderada de vinho tinto. Este padrão alimentar tem sido amplamente associado à redução do risco de doenças cardiovasculares e de alguns tipos de cancro.
Em conclusão, verifica-se que muitas das doenças prevalentes nas sociedades desenvolvidas estão relacionadas com hábitos alimentares inadequados. A promoção do consumo de vegetais, fruta e alimentos pouco refinados, associada à redução da ingestão de alimentos de elevada densidade energética e baixo valor nutricional, constitui uma estratégia fundamental para a melhoria do estado de saúde da população adulta.

Curriculum Vitae
Manuel Teixeira Veríssimo é Professor da Faculdade de Medicina de Coimbra e Médico especialista em Medicina Interna e Medicina Desportiva. Tem Competência em Nutrição Clínica, Geriatria e Gestão de Serviços de Saúde pela Ordem dos Médicos. É ainda Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos

 

“Suplementação nos Seniores: Benefícios e Riscos” – Profª. Doutora  Maria João Campos


Face ao envelhecimento demográfico e à crescente prevalência de doenças crónicas, a suplementação surge como uma estratégia relevante para colmatar os défices nutricionais no idoso. As alterações fisiológicas, como a redução da absorção gástrica e alterações de paladar, tornam micronutrientes como a vitamina D, B12 e cálcio são essenciais para um envelhecimento saudável. A proteína é também essencial para a manutenção da autonomia e prevenção da sarcopenia. Contudo, a utilização de suplementos alimentares sem supervisão técnica em doentes polimedicados acarreta riscos significativos. Destacam-se as interações farmacocinéticas e farmacodinâmicas críticas, como o antagonismo da Vitamina K face à varfarina, a toxicidade muscular por redundância terapêutica (estatinas vs. arroz de levedura vermelha) e a redução da biodisponibilidade da levotiroxina por quelação com cálcio ou ferro.
Conclui-se que a intervenção do farmacêutico e de equipas multidisciplinares é determinante na monitorização do binómio benefício-risco. É imperativo promover a literacia em saúde e integrar a inquirição ativa sobre o uso de suplementos na prática clínica, garantindo a segurança do doente e a eficácia da terapêutica farmacológica.

Curriculum Vitae
Maria João Campos é Farmacêutica e Nutricionista Doutorada em Ciências Farmacêuticas no ramo de nutrição e química dos alimentos.
Especialista em Nutrição Clínica pela Ordem dos Nutricionista 
Docente convidada na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra 

 

Conferências ACFP 2026 – “Co-cristais farmacêuticos como estratégia promissora no desenvolvimento de novas formas farmacêuticas” – Prof. Doutor João Carlos Canotilho Lage

Os co-cristais farmacêuticos representam uma estratégia inovadora no desenvolvimento de novas formas farmacêuticas. São sólidos multicomponente, neutros à temperatura ambiente de 20 ºC, contituídos pelo ativo e por um co-formador considerado seguro, em relação estequiométrica, que interagem por ligações de hidrogénio ou por outra interação não covalente. Esta abordagem permite modular propriedades físico-químicas do ativo — tais como a solubilidade aquosa, a velocidade de dissolução, a estabilidade físico-química, a higroscopicidade, o hábito cristalino e as propriedades de escoamento, entre outras — sem alterar a sua estrutura molecular nem a atividade terapêutica intrínseca. Ao otimizar características essenciais para a formulação e a biodisponibilidade oral, os co-cristais farmacêuticos oferecem um potencial promissor para superar limitações de ativos com fraca solubilidade aquosa ou baixa permeabilidade intestinal, melhorando as propriedades farmacocinéticas  e o seu desempenho clínico. Adicionalmente, esta estratégia oferece flexibilidade na engenharia de sólidos, podendo favorecer processos de fabrico e a estabilidade do produto final, o que a torna uma abordagem de destaque no design racional de novas formas farmacêuticas.

 

 

Seminários ACFP 2024 – “O Desenvolvimento de Vacinas”

As pandemias exigem frequentemente o desenvolvimento rápido de vacinas para travar a propagação da doença e salvar vidas. Esse desenvolvimento durante o decurso duma pandemia é um processo complexo que envolve vários desafios.

O tema das vacinas pode ser abordado como o grande triunfo da imunologia. Introduzir-se-á as categorias de vacinas, os requisitos para uma vacina eficaz, incluindo as respostas por linfócitos B e T apropriadas, o papel dos adjuvantes e dos interferões. Abordar-se-á o impacto das vias de administração e de outros fatores que determinem imunogenicidade ou tolerância aos antigénios, bem como, algumas características das respostas imunológicas em idades extremas que condicionem a resposta à vacinação.

Ora, o desenvolvimento de vacinas eficazes para prevenir infeções e doenças virais, para além do conhecimento de quais os mecanismos da resposta imunológica que são necessários desencadear, impõe o conhecimento do vírus, de como ele se replica e como se processam as interações vírus-hospedeiro. Só com esse conhecimento prévio se encontram os melhores antigénios vacinais.

Citando Crank e colaboradores (Science 2019; doi: 10.1126/science.aav9033): “Technologies thatdefine the atomic-level structure of neutralization-sensitive epitopes on viral surface proteins are transforming vaccinology and guiding new vaccine development approaches”. 

Tendo por base este facto, propõem-se a discussão de dois exemplos de vírus para os quais o sucesso no desenvolvimento de vacinas eficazes foi totalmente antagónico: Por um lado, o vírus sincicial respiratório (denominação oficial: RSV de respiratory syncytial virus), para o qual foi possível desenhar uma vacina tendo por base os conhecimentos da estrutura proteica da proteína viral fundamental para o início do ciclo replicativo do vírus; Por outro, o vírus da imunodeficiência humana (denominação oficial: HIV de human immunodeficiency virus), que depois de quatro décadas de inúmeros estudos e milhões de euros investidos, ainda não se descobriu qual o melhor antigénio a usar para induzir uma resposta imunológica capaz de neutralizar o poder infecioso do vírus.

Com estes dois exemplos espera-se contribuir para perspetivar a complexidade das infeções virais e realçar os inúmeros fatores que tornam o desenvolvimento de vacinas antivirais uma tarefa desafiante e não raras vezes difícil.

A COVID-19, causada por um novo coronavírus identificado pela primeira vez em Wuhan, China (SARS-CoV-2), reconhecida como pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no dia 11 de março de 2020, causou um aumento muito significativo de hospitalizações por pneumonia e falência multiorgânica, colocando uma pressão, sem precedentes, sobre os sistemas de saúde em todo o mundo.

O contexto de pandemia e de emergência global reforçou a urgência do desenvolvimento de vacinas para esta doença, num esforço de convergência sem precedentes da comunidade científica global.

Portugal iniciou a preparação do plano de vacinação contra a COVID-19 durante a primeira vaga registada entre março e julho de 2020, sempre no contexto de coordenação de esforços com a União Europeia. A TaskForce para a elaboração do «Plano de vacinação contra a COVID-19 em Portugal», teve como objetivo garantir a coerência e execução do Plano e coordenar o trabalho já realizado, entre todas as entidades envolvidas no sucesso desta operação, bem como a articulação com as Regiões Autónomas e auscultação de organismos relevantes. O planeamento incluía a estratégia de vacinação, assegurando a logística do armazenamento e distribuição das vacinas, garantindo o registo eletrónico da respetiva administração e da vigilância de eventuais reações adversas e promovendo uma comunicação transparente com a população sobre a importância da vacinação.

Os desafios relacionados com as operações logísticas das vacinas, pela sua complexidade em termos de manuseamento e estabilidade reduzida, foram relevantes para o bom termo de todo o processo.

Portugal foi o primeiro país do mundo a atingir a meta dos 85% da população vacinada contra a COVID-19, tendo-se constituído com um país de referência neste âmbito. Já na sexta fase de vacinação, Portugal continua a apresentar elevadas taxas de cobertura vacinal, graças a um dispositivo coordenado pela TaskForce que planeia e monitoriza o processo de vacinação, em apoio ao Ministério da Saúde.

A TaskForce, com coordenação militar, permitiu “colar” todas as Entidades do Ministério da Saúde em Portugal, de forma a materializar um plano com um modelo de governação muito bem definido e estruturado, constituindo-se como um exemplo na eficiência do processo de vacinação (ver figura). Os pilares base que serviram de chave para o sucesso de todo o processo foram uma Organização de planeamento centralizado e execução descentralizada, uma Comunicação Interna e Externa robusta e próxima dos OCS e de todos os intervenientes do processo e uma Liderança capaz de conduzir todo o planeamento e execução do plano de vacinação.

Seminários ACFP 2024 – “Nanossistemas. Aplicações Farmacêuticas”

“O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é uma parte essencial do sistema de saúde português. Este, no entanto, integra outros componentes que é necessário também reconhecer e valorizar. Precisamos de uma estratégia de cooperação entre os sectores público, social e privado, fundamentada e transparente, enquadrada por um plano plurianual para o desenvolvimento e transformação do SNS. Mas estas intensões não podem simplesmente continuar a situar-se num plano retórico. Requerem princípios, processos e instrumentos elaborados de governança, governação e gestão, que, por enquanto, não existem. Tomemos, como exemplo, duas circunstâncias concretas (i) as práticas de análise e planeamento subjacente à preparação e implementação do “Plano de Emergência e Transformação”, atualmente em curso – o que nos ensinam?, e (ii) e papel da farmácia comunitária nos cuidados de saúde primários do país – como se distingue de outras formas de articulação entre o público e o privado e de que forma se pode tirar o máximo proveito desse seu papel? Estes exemplos, são uma boa base para sistematizar, de uma forma simples, mas suficientemente instrutiva, o essencial sobre os “princípios, processos e instrumentos de governança, governação e gestão” acima referidos. Indispensáveis para fazer evoluir o sistema de saúde português e desenvolver, transformando, o SNS, em benefício das pessoas.
 
O financiamento em saúde, como forma de garantir a continuidade da prestação de cuidados de saúde à população, será outro dos pontos a abordar, tendo em atenção vários fatores e situações condicionantes, como o aumento da esperança de vida e envelhecimento populacional, com todas as suas consequências e implicações a nível da maior necessidade de qualificação recursos sejam humanos ou materiais/(infra)estruturais.
 

A importância das tecnologias de saúde, no quadro de transformação do SNS, atinge também os medicamento, pelo que se propões a clarificação de conceitos sobre Avaliação de Tecnologias de Saúde pondo se em causa a atual definição de medicamento. De forma resumida, descreve-se sistema português de ATS baseado no SINATS, apontando as suas contradições e propondo sua revisão. Refere-se a nova legislação Europeia sobre Medicamento e seu impacto a nível  Nacional Analisa-se a evolução do mercado do medicamento e dos preços Propõe-se alterações ao atual sistema de ATS com implicações na estrutura do INFARMED e medidas a nível Europeu.

Seminários ACFP 2024 – “Desafios Atuais dos Sistemas de Saúde e do Serviço Nacional de Saúde”

“O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é uma parte essencial do sistema de saúde português. Este, no entanto, integra outros componentes que é necessário também reconhecer e valorizar. Precisamos de uma estratégia de cooperação entre os sectores público, social e privado, fundamentada e transparente, enquadrada por um plano plurianual para o desenvolvimento e transformação do SNS. Mas estas intensões não podem simplesmente continuar a situar-se num plano retórico. Requerem princípios, processos e instrumentos elaborados de governança, governação e gestão, que, por enquanto, não existem. Tomemos, como exemplo, duas circunstâncias concretas (i) as práticas de análise e planeamento subjacente à preparação e implementação do “Plano de Emergência e Transformação”, atualmente em curso – o que nos ensinam?, e (ii) e papel da farmácia comunitária nos cuidados de saúde primários do país – como se distingue de outras formas de articulação entre o público e o privado e de que forma se pode tirar o máximo proveito desse seu papel? Estes exemplos, são uma boa base para sistematizar, de uma forma simples, mas suficientemente instrutiva, o essencial sobre os “princípios, processos e instrumentos de governança, governação e gestão” acima referidos. Indispensáveis para fazer evoluir o sistema de saúde português e desenvolver, transformando, o SNS, em benefício das pessoas.
 
O financiamento em saúde, como forma de garantir a continuidade da prestação de cuidados de saúde à população, será outro dos pontos a abordar, tendo em atenção vários fatores e situações condicionantes, como o aumento da esperança de vida e envelhecimento populacional, com todas as suas consequências e implicações a nível da maior necessidade de qualificação recursos sejam humanos ou materiais/(infra)estruturais.
 

A importância das tecnologias de saúde, no quadro de transformação do SNS, atinge também os medicamento, pelo que se propões a clarificação de conceitos sobre Avaliação de Tecnologias de Saúde pondo se em causa a atual definição de medicamento. De forma resumida, descreve-se sistema português de ATS baseado no SINATS, apontando as suas contradições e propondo sua revisão. Refere-se a nova legislação Europeia sobre Medicamento e seu impacto a nível  Nacional Analisa-se a evolução do mercado do medicamento e dos preços Propõe-se alterações ao atual sistema de ATS com implicações na estrutura do INFARMED e medidas a nível Europeu.

Ciclo de Seminários ACFP 2024

Na prossecução do plano de atividades para 2024, o ciclo de Seminários ACFP 2024 abordará temas atuais relevantes para a compreensão e divulgação do âmbito da atividade da Academia.  

Sob o ponto de vista estrutural, é constituído por 4 seminários, cada um dos quais consistirá numa mesa redonda de três preletores com intervenções individuais de 20/30 minutos, seguida de discussão aberta.  

Este  ciclo terá início a 3 de outubro e término a 12 de dezembro de 2024 e  decorrerá, por regra, entre as 18:00 horas e as 19:30  horas, nos dias marcados.

Todos os seminários são de acesso livre e destinam-se não só a membros da Academia, mas também a todo o público interessado, que poderá participar de forma presencial ou através de meios telemáticos (via Zoom).

Conferências ACFP 2024 – “Impacto dos canabinóides no sistema endocanabinóide” – Prof. Doutora Georgina Silva

“Impacto dos canabinóides no sistema endocanabinóide”
Profª. Doutora Georgina Silva

A planta Cannabis sativa e os canabinóides apresentam potencial terapêutico. A maioria dos estudos pré-clínicos/clínicos abordam os efeitos dos dois principais fitocanabinóides, o delta-9-tetra-hidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), no entanto, há também um crescente interesse nos fitocanabinóides denominados minor, como a canabidivarina (CBDV). Embora os fitocanabinóides sejam potenciais candidatos para um grande número de condições como cancro, esclerose múltipla, dor crónica e epilepsia entre outras, o seu uso está longe de estar bem definido e ainda existem questões, como as possíveis interações com o sistema endocanabinóide (SEC), que não estão totalmente conhecidas. Este sistema compreende os recetores canabinóides, os ligandos endógenos (endocanabinóides) e as enzimas do seu metabolismo. O SEC modula diversos processos fisiológicos e intervém na plasticidade sináptica, modulação da dor, balanço energético, apetite e fertilidade. Ao partilhar recetores canabinóides e vias de sinalização semelhantes, os fitocanabinóides podem alterar a homeostasia do SEC sendo por isso urgente identificar potenciais efeitos a longo prazo na saúde pública.