Conferências ACFP 2026 – “Co-cristais farmacêuticos como estratégia promissora no desenvolvimento de novas formas farmacêuticas” – Prof. Doutor João Carlos Canotilho Lage

Os co-cristais farmacêuticos representam uma estratégia inovadora no desenvolvimento de novas formas farmacêuticas. São sólidos multicomponente, neutros à temperatura ambiente de 20 ºC, contituídos pelo ativo e por um co-formador considerado seguro, em relação estequiométrica, que interagem por ligações de hidrogénio ou por outra interação não covalente. Esta abordagem permite modular propriedades físico-químicas do ativo — tais como a solubilidade aquosa, a velocidade de dissolução, a estabilidade físico-química, a higroscopicidade, o hábito cristalino e as propriedades de escoamento, entre outras — sem alterar a sua estrutura molecular nem a atividade terapêutica intrínseca. Ao otimizar características essenciais para a formulação e a biodisponibilidade oral, os co-cristais farmacêuticos oferecem um potencial promissor para superar limitações de ativos com fraca solubilidade aquosa ou baixa permeabilidade intestinal, melhorando as propriedades farmacocinéticas  e o seu desempenho clínico. Adicionalmente, esta estratégia oferece flexibilidade na engenharia de sólidos, podendo favorecer processos de fabrico e a estabilidade do produto final, o que a torna uma abordagem de destaque no design racional de novas formas farmacêuticas.

 

 

Seminários ACFP 2024 – “O Desenvolvimento de Vacinas”

As pandemias exigem frequentemente o desenvolvimento rápido de vacinas para travar a propagação da doença e salvar vidas. Esse desenvolvimento durante o decurso duma pandemia é um processo complexo que envolve vários desafios.

O tema das vacinas pode ser abordado como o grande triunfo da imunologia. Introduzir-se-á as categorias de vacinas, os requisitos para uma vacina eficaz, incluindo as respostas por linfócitos B e T apropriadas, o papel dos adjuvantes e dos interferões. Abordar-se-á o impacto das vias de administração e de outros fatores que determinem imunogenicidade ou tolerância aos antigénios, bem como, algumas características das respostas imunológicas em idades extremas que condicionem a resposta à vacinação.

Ora, o desenvolvimento de vacinas eficazes para prevenir infeções e doenças virais, para além do conhecimento de quais os mecanismos da resposta imunológica que são necessários desencadear, impõe o conhecimento do vírus, de como ele se replica e como se processam as interações vírus-hospedeiro. Só com esse conhecimento prévio se encontram os melhores antigénios vacinais.

Citando Crank e colaboradores (Science 2019; doi: 10.1126/science.aav9033): “Technologies thatdefine the atomic-level structure of neutralization-sensitive epitopes on viral surface proteins are transforming vaccinology and guiding new vaccine development approaches”. 

Tendo por base este facto, propõem-se a discussão de dois exemplos de vírus para os quais o sucesso no desenvolvimento de vacinas eficazes foi totalmente antagónico: Por um lado, o vírus sincicial respiratório (denominação oficial: RSV de respiratory syncytial virus), para o qual foi possível desenhar uma vacina tendo por base os conhecimentos da estrutura proteica da proteína viral fundamental para o início do ciclo replicativo do vírus; Por outro, o vírus da imunodeficiência humana (denominação oficial: HIV de human immunodeficiency virus), que depois de quatro décadas de inúmeros estudos e milhões de euros investidos, ainda não se descobriu qual o melhor antigénio a usar para induzir uma resposta imunológica capaz de neutralizar o poder infecioso do vírus.

Com estes dois exemplos espera-se contribuir para perspetivar a complexidade das infeções virais e realçar os inúmeros fatores que tornam o desenvolvimento de vacinas antivirais uma tarefa desafiante e não raras vezes difícil.

A COVID-19, causada por um novo coronavírus identificado pela primeira vez em Wuhan, China (SARS-CoV-2), reconhecida como pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no dia 11 de março de 2020, causou um aumento muito significativo de hospitalizações por pneumonia e falência multiorgânica, colocando uma pressão, sem precedentes, sobre os sistemas de saúde em todo o mundo.

O contexto de pandemia e de emergência global reforçou a urgência do desenvolvimento de vacinas para esta doença, num esforço de convergência sem precedentes da comunidade científica global.

Portugal iniciou a preparação do plano de vacinação contra a COVID-19 durante a primeira vaga registada entre março e julho de 2020, sempre no contexto de coordenação de esforços com a União Europeia. A TaskForce para a elaboração do «Plano de vacinação contra a COVID-19 em Portugal», teve como objetivo garantir a coerência e execução do Plano e coordenar o trabalho já realizado, entre todas as entidades envolvidas no sucesso desta operação, bem como a articulação com as Regiões Autónomas e auscultação de organismos relevantes. O planeamento incluía a estratégia de vacinação, assegurando a logística do armazenamento e distribuição das vacinas, garantindo o registo eletrónico da respetiva administração e da vigilância de eventuais reações adversas e promovendo uma comunicação transparente com a população sobre a importância da vacinação.

Os desafios relacionados com as operações logísticas das vacinas, pela sua complexidade em termos de manuseamento e estabilidade reduzida, foram relevantes para o bom termo de todo o processo.

Portugal foi o primeiro país do mundo a atingir a meta dos 85% da população vacinada contra a COVID-19, tendo-se constituído com um país de referência neste âmbito. Já na sexta fase de vacinação, Portugal continua a apresentar elevadas taxas de cobertura vacinal, graças a um dispositivo coordenado pela TaskForce que planeia e monitoriza o processo de vacinação, em apoio ao Ministério da Saúde.

A TaskForce, com coordenação militar, permitiu “colar” todas as Entidades do Ministério da Saúde em Portugal, de forma a materializar um plano com um modelo de governação muito bem definido e estruturado, constituindo-se como um exemplo na eficiência do processo de vacinação (ver figura). Os pilares base que serviram de chave para o sucesso de todo o processo foram uma Organização de planeamento centralizado e execução descentralizada, uma Comunicação Interna e Externa robusta e próxima dos OCS e de todos os intervenientes do processo e uma Liderança capaz de conduzir todo o planeamento e execução do plano de vacinação.

Seminários ACFP 2024 – “Nanossistemas. Aplicações Farmacêuticas”

“O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é uma parte essencial do sistema de saúde português. Este, no entanto, integra outros componentes que é necessário também reconhecer e valorizar. Precisamos de uma estratégia de cooperação entre os sectores público, social e privado, fundamentada e transparente, enquadrada por um plano plurianual para o desenvolvimento e transformação do SNS. Mas estas intensões não podem simplesmente continuar a situar-se num plano retórico. Requerem princípios, processos e instrumentos elaborados de governança, governação e gestão, que, por enquanto, não existem. Tomemos, como exemplo, duas circunstâncias concretas (i) as práticas de análise e planeamento subjacente à preparação e implementação do “Plano de Emergência e Transformação”, atualmente em curso – o que nos ensinam?, e (ii) e papel da farmácia comunitária nos cuidados de saúde primários do país – como se distingue de outras formas de articulação entre o público e o privado e de que forma se pode tirar o máximo proveito desse seu papel? Estes exemplos, são uma boa base para sistematizar, de uma forma simples, mas suficientemente instrutiva, o essencial sobre os “princípios, processos e instrumentos de governança, governação e gestão” acima referidos. Indispensáveis para fazer evoluir o sistema de saúde português e desenvolver, transformando, o SNS, em benefício das pessoas.
 
O financiamento em saúde, como forma de garantir a continuidade da prestação de cuidados de saúde à população, será outro dos pontos a abordar, tendo em atenção vários fatores e situações condicionantes, como o aumento da esperança de vida e envelhecimento populacional, com todas as suas consequências e implicações a nível da maior necessidade de qualificação recursos sejam humanos ou materiais/(infra)estruturais.
 

A importância das tecnologias de saúde, no quadro de transformação do SNS, atinge também os medicamento, pelo que se propões a clarificação de conceitos sobre Avaliação de Tecnologias de Saúde pondo se em causa a atual definição de medicamento. De forma resumida, descreve-se sistema português de ATS baseado no SINATS, apontando as suas contradições e propondo sua revisão. Refere-se a nova legislação Europeia sobre Medicamento e seu impacto a nível  Nacional Analisa-se a evolução do mercado do medicamento e dos preços Propõe-se alterações ao atual sistema de ATS com implicações na estrutura do INFARMED e medidas a nível Europeu.

Seminários ACFP 2024 – “Desafios Atuais dos Sistemas de Saúde e do Serviço Nacional de Saúde”

“O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é uma parte essencial do sistema de saúde português. Este, no entanto, integra outros componentes que é necessário também reconhecer e valorizar. Precisamos de uma estratégia de cooperação entre os sectores público, social e privado, fundamentada e transparente, enquadrada por um plano plurianual para o desenvolvimento e transformação do SNS. Mas estas intensões não podem simplesmente continuar a situar-se num plano retórico. Requerem princípios, processos e instrumentos elaborados de governança, governação e gestão, que, por enquanto, não existem. Tomemos, como exemplo, duas circunstâncias concretas (i) as práticas de análise e planeamento subjacente à preparação e implementação do “Plano de Emergência e Transformação”, atualmente em curso – o que nos ensinam?, e (ii) e papel da farmácia comunitária nos cuidados de saúde primários do país – como se distingue de outras formas de articulação entre o público e o privado e de que forma se pode tirar o máximo proveito desse seu papel? Estes exemplos, são uma boa base para sistematizar, de uma forma simples, mas suficientemente instrutiva, o essencial sobre os “princípios, processos e instrumentos de governança, governação e gestão” acima referidos. Indispensáveis para fazer evoluir o sistema de saúde português e desenvolver, transformando, o SNS, em benefício das pessoas.
 
O financiamento em saúde, como forma de garantir a continuidade da prestação de cuidados de saúde à população, será outro dos pontos a abordar, tendo em atenção vários fatores e situações condicionantes, como o aumento da esperança de vida e envelhecimento populacional, com todas as suas consequências e implicações a nível da maior necessidade de qualificação recursos sejam humanos ou materiais/(infra)estruturais.
 

A importância das tecnologias de saúde, no quadro de transformação do SNS, atinge também os medicamento, pelo que se propões a clarificação de conceitos sobre Avaliação de Tecnologias de Saúde pondo se em causa a atual definição de medicamento. De forma resumida, descreve-se sistema português de ATS baseado no SINATS, apontando as suas contradições e propondo sua revisão. Refere-se a nova legislação Europeia sobre Medicamento e seu impacto a nível  Nacional Analisa-se a evolução do mercado do medicamento e dos preços Propõe-se alterações ao atual sistema de ATS com implicações na estrutura do INFARMED e medidas a nível Europeu.

Ciclo de Seminários ACFP 2024

Na prossecução do plano de atividades para 2024, o ciclo de Seminários ACFP 2024 abordará temas atuais relevantes para a compreensão e divulgação do âmbito da atividade da Academia.  

Sob o ponto de vista estrutural, é constituído por 4 seminários, cada um dos quais consistirá numa mesa redonda de três preletores com intervenções individuais de 20/30 minutos, seguida de discussão aberta.  

Este  ciclo terá início a 3 de outubro e término a 12 de dezembro de 2024 e  decorrerá, por regra, entre as 18:00 horas e as 19:30  horas, nos dias marcados.

Todos os seminários são de acesso livre e destinam-se não só a membros da Academia, mas também a todo o público interessado, que poderá participar de forma presencial ou através de meios telemáticos (via Zoom).

Conferências ACFP 2024 – “Impacto dos canabinóides no sistema endocanabinóide” – Prof. Doutora Georgina Silva

“Impacto dos canabinóides no sistema endocanabinóide”
Profª. Doutora Georgina Silva

A planta Cannabis sativa e os canabinóides apresentam potencial terapêutico. A maioria dos estudos pré-clínicos/clínicos abordam os efeitos dos dois principais fitocanabinóides, o delta-9-tetra-hidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), no entanto, há também um crescente interesse nos fitocanabinóides denominados minor, como a canabidivarina (CBDV). Embora os fitocanabinóides sejam potenciais candidatos para um grande número de condições como cancro, esclerose múltipla, dor crónica e epilepsia entre outras, o seu uso está longe de estar bem definido e ainda existem questões, como as possíveis interações com o sistema endocanabinóide (SEC), que não estão totalmente conhecidas. Este sistema compreende os recetores canabinóides, os ligandos endógenos (endocanabinóides) e as enzimas do seu metabolismo. O SEC modula diversos processos fisiológicos e intervém na plasticidade sináptica, modulação da dor, balanço energético, apetite e fertilidade. Ao partilhar recetores canabinóides e vias de sinalização semelhantes, os fitocanabinóides podem alterar a homeostasia do SEC sendo por isso urgente identificar potenciais efeitos a longo prazo na saúde pública.

 

Conferências ACFP 2024 – “O potencial da via nose-to-brain na administração de fármacos” – Prof. Doutora Ana Catarina Silva

“O potencial da via nose-to-brain na administração de fármacos”
Profª. Doutora Ana Catarina Silva

A via intranasal constitui uma alternativa promissora para o tratamento de doenças neurológicas, tendo em conta as vantagens que apresenta, incluindo a possibilidade de transportar fármacos da cavidade nasal diretamente para o cérebro (nose-to-brain delivery), evitando a necessidade de atravessar a barreira hematoencefálica, ao mesmo tempo que promove a eficácia da terapêutica. Nos últimos anos, o potencial da via nose-to-brain para melhorar o tratamento de doenças neurológicas, como o Alzheimer e a epilepsia, tem sido alvo de muitas investigações pré-clínicas. Os resultados são promissores, sobretudo quando se associa a esta via formulações à base de nanossistemas, como as nanopartículas lipídicas.

 

Conferências ACFP 2024 – “Vírus zoonóticos emergentes: o desafio de Uma Só Saúde” – Prof. Doutora São José Nascimento

Conferências ACFP 2024

“Vírus zoonóticos emergentes: o desafio de Uma Só Saúde“
 

Profª. Doutora Maria São José Nascimento

O conceito Uma Só Saúde (One Health) reconhece que a saúde do homem, dos animais e o ambiente estão todas interligadas. A perturbação desta complexa interação tem estado na origem da emergência de novos vírus e doenças víricas zoonóficas. Embora a emergência de novos vírus a partir de animais não seja um fenómeno novo, o que é realmente uma novidade é a taxa de aparecimento de novas doenças zoonóficas nas últimas décadas. Vírus zoonóficos emergentes têm marcado a história da humanidade, tendo o SARS-CoV-2 e a COVID-19 constituído exemplos relevantes já no século XXI. Mas, a ameaça da emergência de “novos” e “velhos” vírus continua a ser uma constante, e as diversas alterações proporcionadas pelo aquecimento global podem impulsionar e facilitar o surgimento de novas doenças zoonóficas.

 

Conferências ACFP 2024 – Ciência Regulamentar – Prof. Doutor José Manuel Sousa Lobo

Conferências ACFP 2024

“Ciência Regulamentar“

Prof. Doutor José Manuel Sousa Lobo

Na atualidade, a designação “Assuntos regulamentares” tem vindo a ser substituída por “Ciência Regulamentar”.
Com esta conferência pretende-se esclarecer a razão e o modo como surgiu esta nova ciência, em que consiste e
qual o âmbito da aplicação do conceito. Do mesmo modo, e de uma forma complementar, pretende-se igualmente
apresentar algumas aplicações da Ciência Regulamentar à regulamentação dos medicamentos nas suas diversas
áreas.

 

Conferências ACFP 2024 – Perspetiva histórica da publicidade a medicamentos em Portugal (Séc. XIX-XX)

Conferências ACFP 2024

“Perspetiva histórica da publicidade a medicamentos em Portugal (Séc. XIX-XX)”

Prof. Doutor João Rui Pita

“A publicidade constitui hoje uma das ferramentas mais relevante para a divulgação dos medicamentos. A publicidade aos medicamentos surge com a industrialização dos medicamentos. Inicialmente não era sujeita a normas quer jurídicas, quer éticas. Atualmente a publicidade a medicamentos é tutelada por uma legislação específica. Esta conferência está focalizada na publicidade escrita. Pretende-se mostrar como a publicidade ao medicamento retrata a história científica e tecnológica da farmácia e do medicamento e como está intimamente relacionada com a história das mentalidades e com a história legislativa e a evolução ética das profissões e ciências da saúde. Abordagens desta natureza são importantes como reflexões éticas e podem ser relevantes para decisões futuras.”